Domingo, Fevereiro 22, 2004
Fim?
Nem sei como começar esse texto, despedida é sempre um troço chato. Ainda mais que todos já devem estar de saco cheio com esse papo de "acabo com o blog, não acabo com o blog"; acabo. Acabou.
Outra má notícia é que eu tive de apagar os arquivos. Fiz isso por questão de espaço - os blogs com mais de 10 MB serão apagados; esse aqui já tá com 20 e tantos - pelo menos pra poder manter no ar as seções nas quais eu venho trabalhando nos últimos meses,
Discografia,
Biografia e outras duas reunindo textos já publicados aqui antes,
Tales From The Who e
Encartes Traduzidos.
Somos todos whooligans
Mas 2004 está sendo um ano de mudanças, o fim de um período de quase dois anos estagnado, parado no tempo. É hora de deixar algumas coisas para trás, e, infelizmente, este blog aqui está incluído na lista do bota fora. Espero que vocês entendam... por mim isso aqui não acabava tão cedo.
Minha intenção ao criar o blog era abrir um espaço - no vácuo deixado por um outro
site. Espaço para os fãs, um espaço para matérias e curiosidades sobre a banda que a maioria dos fãs brasileiros nunca tinha visto. Acho que a minha missão foi cumprida - pelo menos em parte - visto o surgimento de outros blogs sobre o Who (
The Who By Blogger,
Odorono,
Smash My Guitar). É difícil explicar tanta dedicação, tanto fanatismo, por uma só banda. No fundo somos todos uns whooligans, vagando por aí, torcendo, quebrando cabeças e gritando a plenos pulmões...
WHO!? WHO!!!
Agradeço a todos que visitaram isso aqui durante estes 10 meses de Who, muito Who. A todos que comentaram, que me escreveram. A todos que, mesmo não comentando e nem escrevendo, curtiam esse espaço. Um espaço que me permitiu conhecer tanta gente bacana, formar tantos amigos.
Lelê,
Dudu,
Joseph,
Akamine,
Lilla,
Marco Antônio,
Aline,
Ricardo,
Pablo,
Paula,
Anelise...
Meu muito obrigado pela atenção dispensada... e até uma próxima!

Whooligan -
5:06 PM
Comentários:
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Provavelmente meu último post aqui, a tradução do encarte de Live At Leeds. Além das explicações (por Chris Charlesworth e Brian Cady), incluí também as introduções que Pete, Roger e Keith e John fizeram no começo de algumas das músicas durante o show. Fiquem então com...
LIVE AT LEEDS - 1970
Roger Daltrey - Vocais e gaita
John Entwistle - Baixo e vocais
Keith Moon - Bateria
Pete Townshend - Guitarra e vocais
Produzido pelo The Who na Universidade de Leeds
no dia 14 de fevereiro de 1970 no Pye Mobile
Encarte por Chris Charlesworth e Brian Cady
Design de capa pela Graphreaks. Projetado para se parecer com um disco pirata, o comunicado à imprensa dizia que o emblema da capa seria carimbado pelos próprios integrantes da banda, assim como funcionários da Track Records. Todas as edições originais em vinil nos E.U.A. e no Reino Unido vinham com diversas fotografias e cópias de documentos da carreira do Who, incluindo seu contrato para tocar em Woodstock e uma reprodução do pôster usado para divulgar a banda no Marquee Club em 1964. Então, não, você não achou um velho disco do Who no qual alguém esqueceu todos esses documentos originais.
Lançado como Track 2406 001 em 23 de maio de 1970, alcançou o 3# lugar no Reino Unido, permanecendo nas paradas por 21 semanas. O CD expandido de 1995 também galgou posições, permanecendo em 51#. Esta nova versão foi inclusive lançada em uma edição limitada com uma capa de papelão feita para parecer igual à edição em vinil, com todas as cópias em tamanho original dos documentos inclusos.
O lançamento original foi prejudicado na época da gravação por cabos mal conectados que provocaram estalos no som. O LP vinha com uma observação no selo dizendo, "
Estalos no som O.K. Não Corrijam !" Depois que os ruídos foram removidos eletronicamente no CD de 1995, a nota foi mudada para "
Estalos Foram Corrigidos !" Foi relançado nos E.U.A. como um CD duplo chamado
Live at Leeds: Deluxe Edition em 18 de setembro de 2001, com o segundo disco contendo a apresentação de
Tommy que havia ficado de fora até então.
Pete Townshend: "
Aconteceu de Live At Leeds estar coberto de cliques no som. Havia um fio de microfone mal plugado em algum lugar e grandes cliques durante todo o tempo. Na versão recém-remasterizada nós nos livramos dos cliques, mas nem todos. Nós tivemos que deixar alguns porque eles se tornaram lendários."
Esta foi a explicação do empresário do Who, Kit Lambert, sobre o nome do álbum: "
Hoje em dia discos ao vivo são sempre 'Ao Vivo no Coliseu de Roma' ou 'Ao Vivo no Palladium', 'Hollywood Bowl', etc. Daí eu disse, 'ao vivo' não é realmente desse jeito. Viajar em turnê é muito desgastante. Então por que não fazer um 'Ao Vivo no Grimsby' ou 'Ao Vivo no Mud-on-sea'... eu peguei a agenda da banda e disse, 'Vocês estarão tocando no Hull na quarta-feira e em Leeds na quinta, então ou será 'Ao Vivo em Hull' ou 'Ao Vivo em Leeds'. As coisas não foram muito bem em Hull, então teve de ser 'Ao Vivo em Leeds' mesmo."
1. Heaven and Hell (4'30)
(John Entwistle)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Embora nunca gravada no estúdio para a total satisfação de John ou do Who, "Heaven and Hell" foi uma das melhores músicas acrescentadas ao catálogo da banda por Entwistle. Um áspero aviso sobre os riscos do comportamento humano, este é um rock puro-sangue, ritmicamente mais pesado do que a maioria do material composto por Pete nesta época mas ainda assim encaixando-se perfeitamente com as habilidades da banda. Frequentemente usada para abrir os shows durante o final dos anos sessenta, quando
Tommy já era um sucesso, permitia a Pete vasta oportunidade de se alongar nos solos e à toda banda um aquecimento para o longo set que os esperava.
Originalmente gravada nos Estúdios IBC, Londres, em 13 de abril de 1970 (somente instrumental) e em 15 de maio de 1970 (vocais), a versão de estúdio foi lançada em 10 de julho do mesmo ano como o lado-B do compacto de "Summertime Blues". "Heaven and Hell" surgiu inicialmente no set do Who no princípio de 1968, sendo excluída, juntamente com a versão ao vivo de
Tommy no final de 1970. Embora pareça ter tido um lugar de destaque nos shows ao ser a primeira música, "Heaven and Hell" era vista pelo Who como uma canção teste, para verificar se os instrumentos e os microfones estavam funcionando. Em Leeds isso aconteceu logo no começo, quando John descobriu que seu amplificador não estava bem ajustado e não pôde cantar um trecho do princípio. Para a remixagem, Entwistle regravou vocais suficientes em 1994 para garantir que sua versão de 1970 assumisse na parte certa.
Outras versões ao vivo podem ser encontradas no CD
Live At The Isle Of Wight 1970 e no vídeo
Thirty Years Of Maximum R&B (gravado no Tanglewood Music Shed em 1970).
2. I Can't Explain (2'16)
(Pete Townshend)
Fabulous Music, Ltd. (BMI)
O primeiro compacto do Who foi uma tentativa descarada de copiar o estilo dos Kinks, que também eram produzidos pelo americano Shel Talmy. À parte esta semelhança com os Kinks, "I Can't Explain" permanece como uma estréia explosiva para o Who, descrevendo a frustação de ser incapaz de se expressar, não apenas para a garota de seus sonhos mas, numa visão mais ampla, para o mundo como um todo.
Talvez o melhor testamento para "I Can't Explain" foi que durante toda sua carreira, o Who, na maioria das vezes, abria os shows com esta canção, ocasionalmente revezando-a com "Substitute" e, durante esta época, "Heaven and Hell". Será que existe qualquer outra banda cujo primeiro compacto seja tão bom, tão atemporal, que eles possam continuar a usá-lo como seu número de abertura no palco por 25 anos?
O compacto original, lançado em 15 de janeiro de 1965, apresentava Jimmy Page na guitarra base e o Ivy League nos backing vocals. Ao vivo, Keith também teria que cantar ao menos que Bob Pridden, o engenheiro-de-som, desligasse discretamente seu microfone. Alcançou o 8# lugar nas paradas britânicas. Foi lançado nos E.U.A em 13 de fevereiro de 1965, alcançando o 97# lugar na Billboard e 57# na Cash Box.
Outras versões ao vivo podem ser encontradas na trilha sonora de
The Kids Are Alright (do programa
Shindig, em 1965), no CD
Live At The Isle Of Wight 1970, em
Who's Last (1982),
The Blues To The Bush (1999) e no vídeo
The Who & Special Guests Live at the Royal Albert Hall (2000).
3. Fortune Teller (2'34)
(Naomi Neville, pseudônimo de Allen Toussaint)
EMI Unart Catalog, Inc. (BMI)
Roger: "
Essa é a nossa primeira apresentação na Inglaterra depois de um longo tempo, bem, parece um bom tempo. Na verdade depois de um mês e meio, dois meses, e é muito bom poder tocar na Inglaterra novamente. Isto é, hã, nós estávamos com os alemães, entende, ooh! Ah!"
Keith: "
Comida envenenada, sauerkraut!"
Roger: "
Eles são bem durões, na verdade. Esta é uma música de rock, feita por um cara chamado Benny Spellman, se é que algum de vocês aqui já ouviu falar dele. Mas eu tenho certeza de que vocês conhecem os Rolling Stones, porque eles gravaram essa."
Keith: "
E os Mersey Beats, eles gravaram essa."
Roger: "
E os Mersey Beats, eles gravaram essa. E Wayne Fontana, ele gravou essa."
Keith: "
E Félix, o Gato!"
Roger: "
E agora é a nossa vez, ela se chama 'Fortune Teller'"
Pete: "
A nossa versão é a mais importante!"
Sucesso na voz de Benny Spellman, "Fortune Teller", que também ganhou versões dos Rolling Stones e dos Merseybeats, era um destaque dos shows do Who entre 1968 e 1970. Abrindo como um R&B lento, a banda pulava para a maquinaria pesada no meio do caminho, transformando a música em um rock violento, num bom exemplo do que é "Maximum R&B".
O Who gravou uma versão de estúdio no Advision em Londres, no dia 29 de maio de 1968, mas que permaneceu inédita até o lançamento do boxset
30 Years of Maximum R&B em 1994.
"Fortune Teller" entrou no set do Who no Fillmore East em Nova York ,no dia 05 de abril de 1968, sendo abandonada pouco tempo depois de Leeds.
4. Tattoo (2'51)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc. (BMI)
Seguindo direto depois de "Fortune Teller", uma cascata de acordes introduz "Tattoo", uma balada baseada sem pretensões no conceito superficial de que uma tatuagem faz "
de um homem um homem". Retirada de seu terceiro álbum de estúdio,
The Who Sell Out, a banda manteve um afeição por "Tattoo" mesmo depois de todas as outras músicas deste disco serem descartadas. Eles continuaram a tocá-la praticamente até o final dos anos setenta.
"Tattoo" ostenta uma melodia particularmente atrativa e madura, e quadras com rimas complexas sobre dois irmãos que decidem se tatuar, arrependendo-se de sua decisão depois das objeções de seus pais e de refletirem melhor.
A gravação original de "Tattoo"foi produzida por Kit Lambert nos Estúdios IBC, Londres, em 12 de outubro de 1967. Esta música era tocada inclusive nos shows do Who quando do seu retorno em 1999.
5. Young Man Blues
(Mose Allison) Jazz Editions, Inc. (BMI)
Pete: "
Hã, nós vamos continuar agora com uma música originalmente gravada por Mose Allison, que na verdade é um músico de jazz, e eu li uma vez em uma das capas de seus discos que ele era um sábio do jazz. E, hã, o que isso significa eu não sei, hã..."
Keith: "
Tem gosto de frango!"
Pete: "
E (risos)
de qualquer maneira, nós pegamos algumas músicas dele. 'Eyesight To The Blind', que está no álbum 'Tommy', nós pegamos dele. E também esta canção, que eu acho que é uma de suas melhores, é uma de suas composições, que ele escreveu quando estava com quase 40..."
Keith: "
Um adolescente !"
Pete: "
Um mero adolescente, e ele chamou-a de Young Man Blues."
Este blues de Mose Allison, gravado originalmente em 1957, ganha nova vida com a violenta versão pára-e-começa do Who. É ataque e contra-ataque, com Keith liderando o assalto contra os vocais de Roger, John contribuíndo com seus acordes rápidos de sempre e Pete mandando ver em riffs quentes de blues até que o solo o permita se estender pra longe. A versão aqui é mais curta e segura do que de costume, não tão longa quanto o Who às vezes a tocava mas bastante impressionante como uma amostra do jorro de improvisações que permeavam à precisão na banda.
A versão original de Alison foi gravada em 07 de março de 1957, quando ele tinha 29 (e não "
quase 40", como disse Pete), e foi lançada como "Blues" em seu LP
Back Country Suite. Tem a duração de apenas 1 minuto e 24 segundos. Pete disse que ouviu "Young Man Blues" pela primeira vez em novembro de 1963 e o Who já tocava-a ao vivo em 1964, como mostra uma gravação da época. A banda tentou incluí-la entre as músicas de
Tommy, e gravou pelo menos duas versões de estúdio em 1968.
Nos E.U.A., este era para ser o segundo compacto tirado de
Live At Leeds, mas foi cancelado depois que poucas cópias haviam sido fabricadas. Versões diferentes aparecem nos álbuns
The Kids Are Alright (1969, ao vivo no Coliseu de Londres),
Live At The Isle Of Wight Festival 1970 e na edição de luxo de
Who's Next (gravada no Young Vic em 71). Esta faixa era a primeira no LP original, onde tem a duração de 4 minutos e 45 segundos. Nas reedições de 1995 e 2001 ela pula para a quinta faixa, chegando aos 4 minutos e 56 segundos. A versão não editada é de 5 minutos e 7 segundos.
6. Substitute (2'06)
(Pete Townshend)
TRO-Devon Music, Inc. (BMI)
Pete: "(tossindo)
Nós gostaríamos de tocar 3 singles de sucesso do nosso passado para vocês. E, hã..."
alguém na platéia: "
Pictures Of Lily !"
Pete: "
Nós não tocamos mais essa, desculpe. Que coisa. (risos)
Três singles escolhidos, os três, os três mais fáceis. Tem 'Substitute', que nós gostamos muito. Obrigado. Foi o nosso primeiro número 4. E, hã, 'Happy Jack', que foi nosso primeiro, primeiro número um na Alemanha. Rum-bum bum-bum, rum-bum bum-bum. E, engraçado, nosso primeiro grande sucesso nos Estados Unidos. E 'I'm A Boy', que, de acordo com a... obrigado, de acordo com a Melody Maker foi o nosso primeiro número um na Inglaterra. Eu acho que por quase meia hora. Tudo bem, aqui vamos nós, começando com 'Substitute'!"
O melhor compacto lançado pelo Who, na opinião da maioria dos fãs, "Substitute" é um comentário irônico sobre o abismo entre a imaginação e a realidade, feito na base de um dos pequenos riffs enganadores de Pete. Hoje em dia um clássico da música pop, "Substitute" foi tocada em praticamente todos os shows da banda.
Pete havia afirmado que sentia que o Who era o substituto dos Rolling Stones, mas ele também foi confundido pela mistura do real com o irreal no mundo pop, e gostou da idéia de versos sobre identidade que contradiziam-se um ao outro. Nos Estados Unidos o "polêmico" verso "I look all white but my Dad was black" ("Eu pareço bem branco mas meu pai era preto") foi alterado para "I try walking forward but my feet walk back" ("Eu tento andar pra frente mas meu pé vai pra trás"), um reflexo da covardice americana em relação à sensível questão racial nesta época.
O compacto original de "Substitute" foi a primeira gravação produzida por Pete. Lançado em março de 1966, alcançou o 5# lugar no Reino Unido, mas fracassou nos E.U.A., onde foi a única gravação do Who a ser lançada pela Atlantic Records, através do selo Atco.
Esta versão curta e grossa de "Substitute" é tão compacta quanto qualquer versão ao vivo apresentada por eles, embora o solo energético e o final falso do original façam falta.
Outras versões ao vivo podem ser encontradas no boxset
Monterey Pop (ao vivo no festival em 1967), no CD
Live at The Isle Of Wight 1970, em
Who's Last (na turnê de despedida de 1982),
The Blues To The Bush (de 1999), nos vídeos
The Who/Live featuring their Rock Opera Tommy (1989),
Thirty Years Of Maximum R&B (Charlton Stadium em 1974) e em
The Who & Special Guests Live at the Royal Albert Hall (em 2000), com Kelly Jones nos vocais.
Faixa 2 no LP original e 6 nos CDs de 1995 e 2001.
7. Happy Jack (2'13)
(Pete Townshend)
TRO-Essex Music, Inc. (ASCAP)
A estrela do show desta vez é Keith, cujo memorável estilo de bateria carrega não só um ritmo que explode durante o refrão, mas, de forma assustadoramente original, toda a melodia da canção. Todas as marcas registradas do Who dos anos sessenta estão presentes aqui: harmonias bem feitas, temas estranhos e uma bateria que dispensa apresentações.
A gravação original foi produzida por Kit Lambert nos Estúdios CBS, Londres, em 10 de novembro de 1966. Foi lançada como um compacto em 03 de dezembro, alcançando o 3# lugar nas paradas britânicas. Em maio do ano seguinte, seria a primeira gravação do Who a ter algum impacto nas paradas americanas, finalmente alcançando a 24# colocação no
Hot 100 da Billboard.
Esta faixa havia sido lançada anteriormente na trilha sonora
The Kids Are Alright, creditada à um show da "Turnê ao Vivo - Suécia". Outras versões podem ser encontradas no boxset
Monterey Pop (no festival em 1967) e no vídeo
Thirty Years Of Maximum R&B (Coliseu de Londres, em 14/12/1969).
8. I'm A Boy (2'40)
(Pete Townshend)
TRO-Hampshire House Publishing Corp. (ASCAP)
"I'm A Boy" foi originalmente escrita como parte de um longo projeto chamado
Quads, um conto de Townshend situado em um futuro aonde os pais poderiam escolher o sexo de seus filhos. A família na história havia pedido quatro meninas, mas recebeu três meninas e um menino, e esta canção é o lamento do garoto sobre o erro. Com versos bem diferentes de qualquer outra música pop deste período, ela tira o chapéu para os Beach Boys e suas harmonias complexas, mas o grandioso contraponto entre guitarra e bateria é 100% Who.
A gravação original foi produzida por Kit Lambert nos Estúdios IBC em 01 de agosto de 1966, e lançada como um compacto apenas três semanadas depois, em 26 de agosto. Infelizmente, empacou no 2# lugar nas paradas britânicas (passando duas semanas na primeira colocação na Melody Maker - por isso a observação de Pete durante a introdução, dizendo que foi "
por meia hora"), enquanto os Small Faces - com Kenney Jones na bateria - ocuparam o 1# lugar com "All Or Nothing".
O compacto original foi jogado sem cerimônia no mercado americano pela Decca Records quatro meses depois de seu lançamento no Reino Unido e, naturalmente, não entrou nas paradas. Outra versão ao vivo de 1999 foi lançada no CD
The Blues To The Bush.
Whooligan -
1:02 PM
Comentários:
9. A Quick One While He's Away (8'25)
(Pete Townshend) TRO-Essex Music, Inc. (ASCAP)
Pete: "Nós vamos tocar pra vocês agora um pequeno set de canções que nós chamamos de pais do Tommy, como vocês devem ter lido nos jornais de música. E se algum de vocês aqui já nos viu tocar essa antes, provavelmente conhece o diálogo que eu estou prestes a começar. É a história de nossa mini-ópera. E, esta mini ópera, é uma coisa que nós fizemos no nosso segundo álbum. E, hã, de certa maneira, para sua época foi uma coisa bem aventureira, porque é uma estória contada através de seis temas musicais diferentes. E a estória (tosse) é sobre uma garota que é seduzida... por um velho maquinista. E é, entende, uma dessas questões sociais, essas coisas. E, hã, John Entwistle faz o maquinista. O sedutor..."
Keith: "O perigoso de preto!"
Pete: "Sim, e eu faço a garota."
John: "Tirem ele daí!"
Pete: "Depois!(risos) E, hã, a sedução começa enquanto o namorado da garota está longe de casa e ela está triste porque ele está longe por tanto tempo."
platéia: "Ahhhhhh"
Pete: "E alguns de seus amigos dizem, 'nós temos um remédio', e vocês vão ouvir esse refrão, nós temos um remédio, e o remé..."
platéia: (risos)
Pete: "O remédio, o remédio é, ... ah, claro, o velho maquinista, um velho bastardo e indecente. E os amigos sabem que com ele ela estará bem. Então o que acontece é que eles fo..., hã, eles fornicam.
Keith: "Oohhhh!"
Pete: "E... (risos)"
Keith: "O que é isso?"
Pete: "Como é?"
Keith: "O que é isso Pete ? Eu pensava que era aquela pequena estação antes de Chipping Ongar!"
Pete: "Não, não, não!"
Keith: "Esse é o problema de ficar sentado o tempo todo aqui atrás."
Pete: "Ele sempre desce no ponto errado. De qualquer maneira (risadas) Esta sedução é bem demorada. E, por levar tanto tempo, o namorado, que está bastante atrasado inclusive, e ele merece isso, nem mais, nem menos, chega bem no meio da sedução. E pega o casal no flagra. E, hã, eu gostaria que vocês imaginassem essa cena. Reúnam-se os músicos ! E, hã, a razão desta sedução demorar tanto é que Ivor, como um bom maquinista, estava atrasado!"
(risadas)
Pete: "'Ohhhh, não! Está levando mais tempo do que o normal.' Ele olha para o relógio que comprou para sua aposentadoria e o vê todo coberto de suor. De qualquer maneira, quando ele consegue, o namorado pega-os no flagra."
Keith: "Ah ha! Oh oh, aha ha ha!"
Pete: "Me dá tudo sua besta selvagem!"
(gargalhadas)
Pete: "Mas, ao invés de xingá-los, na hora, xingá-los na mesma hora, ao invés de repreendê-los, e isso foi à frente de seu tempo, e lembrem-se de que foi há três anos atrás, e, hã, nós antecipamos os sentimentos de paz e amor e pacifismo e todo esse tipo de coisa que estava para surgir... E, tal como na vida real, ele perdoa os dois. Ele vê os dois ali e os perdoa. Ele adora assistir esse tipo de coisa! De qualquer maneira, nós começaremos agora, e, hã, nós normalmente apresentamos a música com Keith Moon cantando, mas hoje nós vamos ter que deixá-lo de lado."
Keith: "Graças a Deus!"
Pete: "Se você preferir assim, Keith."
Keith: "Eu prefiro sim. Ok, é isso? "
Pete: "Sim."
Keith: "Certo. Eu vou ficar aqui então. "
Pete: "E, hã, chama-se 'A Quick One, While He's Away'. Dois, três..."
O primeiro projeto de uma ópera-rock de Pete não seria nunca escrita se não fosse pelas circunstâncias peculiares envolvendo a gravação de seu segundo álbum, no qual cada integrante da banda deveria contribuir com pelo menos duas canções. Quando Roger, John e Keith apareceram com as suas, sobrou para Pete a tarefa de preencher os dez minutos restantes do disco. Kit Lambert sugeriu que ele compusesse uma mini-ópera para concluir o lado B. "'A Quick One" foi o resultado. Era algo certamente complexo, movendo-se por seis específicas seções, cada uma delas com melodias diferentes, indo do country ao western, com harmonias exuberantes temperadas pelo power pop, com um toque de música de salão inglesa conectando todas elas. Em 1970, o Who já estava tocando "A Quick One" ao vivo por pelo menos três anos, e há a certeza de que esta versão não é encontrada em qualquer lugar.
As seis canções de "A Quick One" são "Her Man's Gone", "Crying Townn", "We Have A Remedy", "Ivor The Engine Driver", "Soon Be Home" e "You Are Forgiven". Durante a história a heroína anônima sofre por seu amor que partiu, por conselho de seus amigos escolhe Ivor como um substituto, arrepende-se de sua tolice quando seu marido retorna, confessa sua indiscrição e é finalmente perdoada.
A gravação original foi produzida por Kit Lambert nos Estúdios IBC, Londres, em novembro de 1966. A introdução de Pete durante o show é mais longa do que a apresentada acima, levando vários minutos. Uma falha na gravação original fez com que Roger tivesse que regravar os vocais em "Ivor, the Engine Driver" em 1994. Esta música (ou músicas) foi excluída dos shows logo depois de Leeds.
Outras versões ao vivo podem ser encontradas no boxsetMonterey Pop (no festival em 1967), The Kids Are Alright (no Rolling Stones Rock'n'Roll Circus em 1968) e nos vídeos Thirty Years Of Maximum R&B (no Monterey Pop em 1967) e The Rolling Stones' Rock 'n' Roll Circus (1968).
10. Summertime Blues (3'20)
(Eddie Cochran/Jerry Capehart) Warner - Tamerlane Publishing Corp. (BMI)
O estilo rítmico da guitarra de Eddie Cochran teve uma enorme influência em Pete no início do Who, e sua versão de "Summertime Blues" foi o ponto alto dos shows da banda durante muito tempo.O estilo de Pete combinava perfeitamente com os retumbantes riffs do baixo de John, e Roger, desacostumado com o rock'n' roll dos anos cinquenta, adorava cantá-la.
Cochran morreu em 1960 e já em 1968 o Who havia deixado em "Summertime Blues" sua marca. Outras canções de Cochran interpretadas pela banda eram "C'Mon Everybody" e a menos conhecida "My Way".
Também lançada como compacto, em uma versão editada, em 10 de julho de 1970. De acordo com o livro Anyway, Anyhow, Anywhere, de Matt Kent e Andy Neil, este compacto foi lançado pela Track Records sem a permissão da banda, enquanto eles estavam em turnê nos E.U.A. (onde alcançou o 27# lugar e 30# no Reino Unido). A versão original de Eddie Cochran foi lançanda em julho de 1958, chegando ao 8# nos E.U.A. e 18# na Grã-Bretanha. A banda Blue Cheer teve também sucesso com esta música em 1968. Durante o show em Leeds, "Summertime Blues" e o restante do LP e do CD vinham depois da apresentação de Tommy.
Outras versões ao vivo podem ser encontradas no boxset Monterey Pop (ao vivo no festival em 1967), no CD Live at The Isle Of Wight 1970 e em Who's Last (de 1982).
Faixa 3 no LP original, 11 na edição de 1995 e 10 no disco um do CD de 2001.
11. Shakin' All Over
(Johnny Kidd) [real name Frederick Heath] Mills Music, Inc.
"Shakin' All Over" é a melhor canção de rock pré-Beatles já gravada. Com seus riffs de guitarra impressionantes, linhas pesadas de baixo e letras que realmente agitavam, "Shakin'" poderia ter sido escrita por qualquer um dos grandes compositores americanos de rock dos anos cinquenta, como Leiber & Stoller, Doc Pomus ou Otis Blackwell. Ao invés disso, foi compsta em 1960 por Johnny Kid (Fred Heath), o líder da banda The Pirates, uma das primeiras bandas verdadeiramente calcadas em rock'n'roll da Grã -Bretanha, e sua versão alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas em agosto de 1960.
Contemporâneos do The Detours (como o Who era originalmente conhecido), foram os Pirates, com sua formação de cantor-guitarrista-baixista-e-baterista que convenceram Roger Daltrey à abandonar sua guitarra, demitir o cantor dos Detours e ocupar seu lugar no centro do palco. Isto deixou Pete como o guitarrista solo, fazendo-o passar a prestar bastante atenção em Mick Green (guitarrista dos Pirates), onde quer que as duas bandas dividissem o palco, o que era frequente.
Este "Shakin' All Over" do Who é um típico assalto frontal, comprovadamente empolgante para qualquer um que o ouça. Cada um deles tem sua chance de aparecer: Roger urra os versos, John cuida do consagrado riff de baixo; Pete deixa solto os solos e Keith troveja sempre na hora certa.
Esta música é mais conhecida pela versão do Guess Who feita em 1965, que acaba confundindo os mais desatentos. Esta faixa, tanto no LP quanto nos CDs tem a parte do meio removida (que incorpora um cover de "Spoonful", de Willie Dixon). Todas as outras versões ao vivo de "Shakin" contam com outra música aparecendo no meio, normalmente "Spoonful", como pode ser constatado como o CD Live At Isle of Wight Festival 1970.
Faixa 4 no original e 11 nas reedições em CD. A duração correta e sem cortes é de 5 minutos e 6 segundos.
12. My Generation
(Pete Townshend)
TRO-Devon Music, Inc. (BMI)
Mesmo se "My Generation" fosse a única gravação lançada pelo Who, ainda assim eles mereceriam uma menção honrosa em qualquer compilação sobre a história do rock. Seu terceiro compacto, este hino Mod de 1965, é ainda a música mais conhecida de toda a carreira da banda. Pete Townshend pode ter se arrependido de ter escrito os memoráveis versos "Hope I die before I get old" ("Espero morrer antes de envelhecer"), mas "My Generation" permanece como o compacto de mais pesado lançado por qualquer grupo pop britânico em 1965. Os Beatles e os Stones, lembre-se, estavam ainda compondo canções de amor quando "My Generation" apareceu.
Esta música passou por diversas transformações durante a carreira do Who. Frequentemente tornava-se um blues lento que gradualmente ia ficando mais rápido, mas aqui, na que deve ser uma das versões mais longas apresentadas pela banda, começa normalmente, indo parar em trechos de
Tommy, incluindo versos emprestados de "See Me Feel Me", um pouco de blues e R&B e excelentes solos de Townshend, (que parece tocar com seu próprio eco contra a parede do salão). Acontecem diversos finais falsos onde Pete silencia a banda, somente para recomeçar e acelerar tudo de novo.
Esta versão de "My Generation" é um ótimo exemplo de como cada integrante conseguia tocar independente um do outro. Até então eles já se apresentavam juntos há seis anos, e não existe substituto para o sexto-sentido que tal treinamento faz surgir. Ouça as batidas intuitivas de Keith, todas elas precedidas por acordes de Pete que são familiares somente para ele e John e, mais do que nunca, preste atenção a John fazendo hora extra enquanto zumbe acima e abaixo no braço de baixo mais comprido do rock.
A gravação original foi produzida por Shel Talmy nos Estúdios Pye, Londres, em 13 de outubro de 1965, e lançada como um compacto três semanas depois. Alcançou o 2# lugar nas paradas britânicas, sendo, juntamente com "I'm A Boy", a melhor colocação alcançada por qualquer compacto do Who desde então. Devido à falta de promoção nos E.U.A., ficou apenas no 74# lugar.
Esta é a explicação de Pete, cortada da introdução em Leeds, sobre esta música: "
Nós vamos tocar agora um número que é como que um pouquinho de tudo. Principalmente, é na maioria The Who. É mais sobre o Who de três anos atrás e misturados estão algumas partes do Who de hoje. Isto é algo que é mais ou menos nosso hino. A razão de repetirmos 'Tommy' nele, em outras palavras nós repetimos um pequeno trecho dele, é em função de misturar todas as partes da nossa história em um grande, gigantesco e ensurdecedor barulho." Na versão canadense de
Live At Leeds esta faixa é dividida nas seguintes músicas: 1a. My Generation (Townshend), b. See Me, Feel Me (We're Not Gonna Take It) (Townshend), c. Higher (Townshend, Entwistle, Daltrey, Moon), d. Overbridge (Townshend, Entwistle, Daltrey, Moon), e. Coming Out To Get You (Townshend, Entwistle, Daltrey, Moon), f. Underture (Townshend), g. Driving Four (Townshend, Entwistle, Daltrey, Moon).
No LP original esta era a primeira faixa do lado 2 e tinha a duração de 14 minutos e 27 segundos. No CD de 1995 era a faixa 13, e no de 2001, disco um, faixa 12, em ambos tendo a duração de 14 minutos e 45 segundos. A versão sem cortes chega aos 15 minutos e 3 segundos.
Outras versões ao vivo de "My Generation" podem ser encontradas no vídeo
Who's Better, Who's Best video (no Marquee em 1967), no boxset
Monterey Pop e no filme (no festival em 1967), no documentário
The Kids Are Alright (no programa Smother Brothers em 1967), no CD
Live At The Isle Of Wight 1970, em
Who's Next Deluxe Edition (ao vivo no Young Vic em 1971), no vídeo
Thirty Years Of Maximum R&B (na Holanda em 1972), nos álbuns
Who's Last (em 1982),
The Blues To The Bush (1999) e
The Who & Special Guests Live at the Royal Albert Hall 2000).
13. Magic Bus
(Pete Townshend)
TRO-Essex Music, Inc. (BMI)
Pete: "
Obrigado, muito obrigado. Cara, esta é com certeza a melhor coisa que já aconteceu com a gente. E nós vamos continuar com um grande sucesso nosso, que alcançou o sortudo 13# lugar, 'Magic Bus'!"
John: "
Qual é!?"
Com sua batida a là Bo Diddley e a oportunidade de improvisar na guitarra, Pete adorava tocar "Magic Bus", mas John, ancorado à um riff "dub du-du du-du dub dub" odiava. Não havia muita chance para Keith também, mas ele sempre parecia contente como um palhaço ao ficar fazendo caretas e batucando com seus pedaços de madeira enquanto Pete e Roger trocavam versos ilógicos sobre vender um ônibus mágico por "
cem libras inglesas".
Como uma atração ao vivo, "Magic Bus" tornou-se a favorita do público, simplesmete por se diferenciar de qualquer outra coisa tocada pela banda em toda a sua carreira. Assim como "Substitute" esta versão presente em
Live At Leeds tem a duração bem diferente de sua original. É também uma grande chance de Pete se mostrar e Roger não deixa por menos com sua gaita.
A gravação original foi produzida por Kit Lambert nos Estúdios IBC, Londres, no verão de 1968. Foi lançada como um compacto em 18 de setembro de 1968 e alcançou o 26# lugar nas paradas britânicas. Lançado nos E.U.A. em 27 de julho, chegou ao 25# na Billboard e ao 10# nas paradas da Cash Box. Pete compôs a música no princípio de 1966. Em um show no dia 20 de novembro de 1968, Moon dividiu o palco durante uma versão de 20 minutos de "Magic Bus" com o então baterista dos Small Faces, Kenney Jones, e o original e seu futuro substituto tocaram juntos.
Esta era a última faixa do LP original, com duração de 7 minutos e 30 segundos. É também a última no CD de 1995 (faixa 14), onde chega aos 7 minutos e 22. Os 7 minutos e 30 segundos foram restaurados para o CD de 2001, onde aparece como faixa 13 do disco um. A apresentação original em Leeds chegava aos 9 minutos e 40. Outras versões ao vivo podem ser encontradas nos CDs
Live at The Isle Of Wight 1970 e
Who's Last (1982), e também nos vídeos
Who's Better Who's Best video (Holanda, 1972),
The Blues To The Bush (de 1999) e em
The Who & Special Guests Live at the Royal Albert Hall (gravada em 2000).
O lançamento original apresentava um trecho invertido de guitarra perto do começo que foi removido em 1995. Pete Townshend: "
Eu produzi Live At Leeds em 1970 e fiz alguns reparos aqui e ali. Em certo ponto de 'Magic Bus', eu cortei um trecho em que John e eu e Keith ficamos fora de sintonia e para mostrar que eu havia editado, separei quatro barras e as coloquei de cabeça para baixo, para que todos soubessem que foi editado." Se ele tivesse que repetir isso em 1995,
Live At Leeds seria um álbum quase todo invertido. O som original da guitarra neste trecho foi restaurado nos relançamentos de 1995 e 2001.
Whooligan -
1:02 PM
Comentários:
CD BÔNUS ADICIONADO EM 2001 - TOMMY
A primeira apresentação do Who de todo o círculo musical de
Tommy ao vivo foi na pré-estréia para imprensa no Ronnie Scott's Club em Londres, no dia 02 de maio de 1969, no mesmo mês em que o álbum duplo foi lançado. Sua última apresentação, até a turnê de reunião do 25# aniversário da banda em 1989, foi no Roundhose, Londres, no dia 20 de dezembro de 1970, quando eles dedicaram o show ao artista de abertura, um recém surgido cantor/compositor/pianista chamado Elton John. Entre essa época o Who levou
Tommy ao redor da Europa e da América, apresentando-o mais de 160 vezes. "
Reúnam-se os músicos", Pete diria enquanto a banda se preparava para "
Thomas", como ele gostava de chamá-lo. Keith batia com sua baqueta na beirada do bumbo como se fosse um maestro com sua batuta. "
Parem de rir", ele gritarva por detrás de sua bateria. "
Isso é sério. É uma maldita ópera, não é ?"
E lá iam eles, explodindo em "Overture", continuando sem parar até o verso final de "Listening To You", o refrão de "We're Not Gonna Take It", uma hora e 15 minutos depois. Era uma performance hérculea, algo nunca tentado por nenhuma banda de rock até então, e os fãs pegos nesta gloriosa aurora foram com certeza muito bem afortunados. Com o passar dos anos
Tommy tornaria-se um pouco menos abrangente, com algumas músicas deixadas de fora - "Cousin Kevin", de John, nunca foi tocada ao vivo, e "Sally Simpson" frequentemente era cortada - até que sobrassem apenas "Pinball Wizard" e os versos de "See Me, Feel Me". Ocasionalmente o Who repetiria a instrumental "Sparks", que, com sua força dinâmica, era certeza de deixar a platéia aos seus pés.
Embora os projetos de Pete para suas óperas-rock frequentemente beirassem as raias da pretensão, o Who sempre manteu um refinado senso de humor, presente aqui em
Tommy durante as duas contribuições vocais de Keith, "Fiddle About" e "Tommy's Holiday Camp". Nenhum outro se revelou mais perfeito para o papel de um pervertido como Moonie, como pode ser visto em sua aparição posterior como Tio Ernie na versão cinematográfica de Ken Russel.
Pete relembrou que em 29 de maio de 1969 no Grande Ballroom em Deadborn, Michigan, durante a turnê em que
Tommy foi apresentado ao público americano - que teve poucas oportunidades de ouvirem o álbum e, consequentemente, de se familiarizarem com as canções - a platéia se levantou durante certo ponto e permaneceu de pé, simplesmente viajando com a música. A banda trocou olhares entre si, percebendo aí e desde então que haviam criado algo bastante especial. Quando
Tommy chegou ao seu clímax, todos ainda estavam de pé. "See Me, Feel Me" tornou-se o hino de
Tommy, e quando era tocada ao vivo parecia para todo mundo que o Who estava prestando um memorável tributo - "Listening to you, I get the music" ("Ouvindo você, eu aprendo a música") - à platéia para o qual eles estavam cantando. E quando os refletores e luzes eram acesos, o auditório da banda transformava-se em uma catedral gigante no qual, por alguns instantes, pastores e fiéis uniam-se em uma celebração maciça pelo rock como uma força de unificação, assim como Pete Townshend acreditava que devia ser. Ocasionalmente, fãs deficientes levantavam suas muletas para o ar; talvez um ou dois deles tenham saído do show sem elas.
Na época em que o Who e
Tommy chegaram a Leeds, eles podem ser perdoados por já estarem de saco cheio de tocarem a ópera-rock. Se estavam, não parece. Extensas pesquisas entre os arquivos da banda e de colecionadores ao redor do mundo revelam que este
Tommy é a melhor versão ao vivo existente. Agora disponível como parte deste pacote comemorativo, eu posso apenas parafrasear Pete Townshend, usando as mesmas palavras que eu usei no título de um artigo sobre o Who para a revista Crawdaddy alguns anos atrás: "é uma barganha - a melhor que você já fez!"
Overture (5'15)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Se o Who estivesse com pressa, "Overture" e "It's A Boy" eram deixadas de lado. Isso aconteceu no show de Woodstock, em 1969.
Disco dois - faixa 1 - no CD de 2001.
It's a Boy (0'31)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Disco dois - faixa 2 - no CD de 2001.
1921 (2'25)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Disco dois - faixa três - no CD de 2001.
Amazing Journey/Sparks (7'34)
(Pete Townshend) Towser Tunes, Inc./ABKCO Music, Inc. (BMI)
A única parte da apresentação de
Tommy incluída como faixa 11 no CD de 1995, reapareceu no lançamento completo em 2001 como faixas 4 e 5 do CD dois. Outra versão ao vivo de "Sparks", gravada no festival de Woodstock em 1969 e tão boa quanto esta de Leeds, foi lançada na trilha sonora de
The Kids Are Alright e uma versão um minuto mais longa, nomeada erroneamente "Underture", no boxset
30 Years Of Maximum R&B.
Eyesight To The Blind (The Hawker) (1'58)
(Sonny Boy Williamson)
Arc Music Corp. (BMI)
O primeiro "ajuste" pode ser ouvido aos 33 segundos desta faixa. A palavra "
blind" foi regravada recentemente em estúdio.
Disco dois - faixa 6 - no CD de 2001.
Christmas (3'18)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Disco dois - faixa 7 - no CD de 2001.
The Acid Queen (3'32)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Deixando "Cousin Kevin" de lado, o Who pula direto para "The Acid Queen". Note que, assim como em "A Quick One, While He's Away", Pete faz o papel da garota.
Disco dois - faixa 8 - no CD de 2001.
Pinball Wizard (2'50)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Uma vez que
Tommy já havia trilhado seu caminho de sucesso, o Who parou de dar tanta atenção à ordem das músicas. Aqui eles passam batido por "Underture" e "Do You Think It's Alright/Fiddle About" indo direto para o compacto de maior sucesso do álbum. Esta versão gravada em Leeds foi lançada anteriormente como o lado-B na reedição do compacto de "My Generation" em 1996.
Do You Think It's Alright? (0'22)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Fiddle About (1'13)
(John Entwistle)
New Ikon Music Ltd.
Agora o Who volta para estas duas músicas. Keith roubou esta de John somente depois do filme.
Tommy Can You Hear Me? (0'55)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
A canção da mãe de Tommy foi movida para depois da visita do médico.
There's a Doctor (0'23)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Go To The Mirror! (3'24)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Smash The Mirror (1'15)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
De volta à mãe cantando para Tommy mais uma vez. Supreendentemente, em se tratando de The Who, nenhum espelho de verdade era destruído no palco.
Miracle Cure (0'12)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
"Sensation," que se encaixa entre as duas músicas acima no álbum de estúdio, era raramente apresentada ao vivo nesta época.
Sally Simpson (4'00)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Outra música geralmente excluída das versões ao vivo de
Tommy apresentadas nesta época.
I'm Free (2'38)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Assim como no álbum de estúdio, o Who decidiu manter "I'm Free" nesta posição mais à frente durante os shows de 1969 e 1970. Só seria mudada de ordem, imediatemente depois de "Smash The Mirror", depois do lançamento da versão orquestral da London Symphony Orchestra em 1972.
Tommy's Holiday Camp (1'00)
(creditada à Keith Moon mas na verdade composta por Pete Townshend)
New Ikon Ltd.
Ah, mesmo que não tenha sido ele a escrevê-la, Keith com certeza faz dessa uma música sua. "
Good morning, wankers!" ao invés do "
Welcome" que precede esta música no álbum de estúdio, não era apresentada ao vivo durante o período de 1969-1970.
We're Not Gonna Take It (8'08)
(Pete Townshend)
Eel Pie Publishing Ltd. (BMI)
Os trechos de "See Me Feel Me" e "Listening To You" no final desta música apresentam vocais em sua maioria recentes, gravados em estúdio.
Whooligan -
1:01 PM
Comentários:
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
Before I get old...
Desculpem a falta de atualizações, tenho andado meio sem tempo de mexer com net. Mas eu tô aqui mesmo é pra avisar que este Whooligan vive seus momentos finais (dramático isso não?). Além de eu não estar conseguindo mais dedicar meu tempo às traduções, caça de matérias, notícias e tudo mais que vocês têm visto nestes 10 meses de blog, ainda me aparece a "bendita" globo.com e mais regras - desta vez relativas ao espaço de armazenamento . Rola também um papo de que eles vão passar a cobrar pelo serviço de hospedagem do Blogger, e como eu não estou afim de encher mais o rabo desses #$@% de dinheiro...
Tô planejando montar um site, e quem sabe continuar com as notícias lá no
The Who By Blogger. Mas não esquentem não que o Who tá bem representado... além do
Odorono, que eu já falei aqui, ainda apareceu o
Smash My Guitar, então eu nem devo fazer tanta falta assim.
Ainda tenho o encarte do
Live At Leeds pra publicar (antes que me tirem do ar definitivamente). Essa semana ele ainda sai.
E outra foto pra estourar mais ainda meu espaço de armazenamento:
Whooligan -
6:20 PM
Comentários:
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
International Musician, abril de 1976
KEITH MOON
Atualmente conhecido (graças aos jornais) como o Selvagem do Rock, Keith Moon é um homem de muitos talentos. Primeiro e principalmente, ele é o baterista do The Who. No palco, por trás de um gigantesco kit Premier, ele grita e faz caretas enquanto toca, com uma habilidade incrível, do tipo que outros bateristas levam anos para aperfeiçoar. Na época mod de "I Can't Explain" e "Anyway, Anyhow, Anywhere", ele usava um único kit, mudando para um duplo três anos mais tarde, acrescentando, com o tempo, extras como cymbals, tympanis e uma tropa de tom-toms. Há alguns anos atrás, a revista Melody Maker creditou Keith Moon por "revolucionar a bateria no rock" - um mérito do qual ninguém duvida. É um procedimento normal para bateristas acentuar o golpe no cymbal com uma batida no bumbo - mas não para Keith Moon. Ele despreza tocar somente em um cymbal. Suas primeiras gravações eram saturadas com o bumbo acentuado, tom-toms barulhentos e cymbais estridentes. Com o passar dos anos e a evolução das técnicas de gravação, a bateria de Moon só melhorou - o que não é um trabalho fácil para um engenheiro de som, tendo tal gigantesco kit para lidar.
Á parte sua bateria, Moon também se desenvolveu como uma "personalidade". Ele parece não gostar do tédio em excesso, e faz tudo ao seu alcance para evitá-lo. Isto costuma levar á algumas "brincadeiras", como destruir quartos de hotel e jogar Rolls-Royces dentro de piscinas. As "Histórias de Moon" abundam nos meios musicais, e algumas delas ás vezes chegam aos jornais. Enquanto ia ao seu encontro, o motorista de táxi perguntou, "Keith Moon? É aquele sujeito doido, não é?". Sem dúvida, ele é agora um nome familiar. Um nome que certas pessoas veneram, um nome que certas pessoas temem - mas ainda assim um nome.
O produtor da BBC John Walters viu em Moon um certo talento para comédia e produziu uma série de seis programas para o rádio estrelando Keith em diversos papéis. As portas para o mundo cinematográfico também se abriram para ele. Moon fez uma pequena participação no filme 200 Motels, com Frank Zappa, fez o papel do baterista David Esseex em Stardust e, mais recentemente, apresentou-se como Keith Moon e Tio Ernie na versão cinematográfica de "Tommy".
Ano passado aconteceu o lançamento de seu primeiro álbum solo, Two Sides of The Moon. Ele agora está trabalhando em um segundo com Steve Crooper, guitarrista do Booker T. and The M.G.'s e um excelente produtor. Atualmente exilado por causa dos impostos, sendo permitido a ele passar somente 60 dias no Reino Unido, Moon fez uma parada em Londres por um dia vindo de Los Angeles (onde ele mora hoje) para a Europa (para começar mais uma turnê do Who). Eu encontrei-me com Keith no quarto andar do The Royal Garden Hotel em Londres, e achei-o um anfitrião genial e mais do que disposto a falar sobre o seu primeiro amor, a bateria.
De quantas peças consiste seu kit?
Bem, pra começar é um kit Premier. O snare é um Gretch, mas o resto é todo Premier. Tem quatro double-headed tom-toms - de 12", 13", 14" e 16". Então na frente deles ficam cinco single-headed tom-toms que são de 12 ", 13", 14", 15" e 16". Um monte de gente vai pensar que juntos ele não fazem um de 15", e não fazem mesmo. Mas pra mim fazem. Esta é a linha de frente. Na direita, ficam dois double-headed tom-toms que eu acho que são de 18" por 18", e dois de 16". Então, fixados nas ferragens, ficam duas open-ended drums de 14" e dois timbales. Na esquerda, ficam dois tympani e atrás, um gongo chinês Paiste de 30". Dois bumbos e é isso. Os cymbals pendurados da direita para a esquerda são um 22" ride, um 20" crash ride, um de 14" e uma fileira de três espalhados no centro - 18", 20" e 22". Atrás, um ângulo acima dos cymbals, fica um prato China. O high-hat tem dois cymbals de 15". Eu deixo-os fechados permanentemente.
Então você tende a tocar mais em cymbals abertos?
Sim. Com o Who, porque são na verdade só três instrumentos - guitarra, baixo e bateria - e eu costumo tocar mais assim. O hi-hat não fica completamente fechado - deixo uma fenda de aproximadamente 1/4" e então você consegue um som meio que "sshooshh". Então eu posso sair desse para o crash ride de 20", evitando o ride de 22", e baixar os três e meu cymbal principal, que seria o crash ride de 20" - Eu costumo usar mais isso. Mas com um kit tão grande e variado como esse, eu tenho tudo o que preciso para inúmeras músicas. Quando nós tocamos "My Generation" que é, em certo momento, como se fosse uma porradaria, eu tenho uma vasta quantidade de... munição pesada para usar. E, de modo contrário, se nós estivermos fazendo algo de "Tommy", como o trecho de "See Me, Feel Me", eu consigo os efeitos orquestrais com o tympani e posso usar as batidas do tom-tom. Então o quer que estivermos tocando, eu tenho minha bateria pra segurar a onda.
Você já tem um kit duplo há muito tempo. Você pode ou consegue tocar em um único kit?
Não, não mesmo. Eu posso trabalhar mais com o pé esquerdo se necessário. Se precisar, eu posso tocar um bumbo, um hi-hat e um tympani com meu pé esquerdo. Ao mesmo tempo, eu tenho um batedor que é pendurado no gongo, então se em certo momento nós entrarmos em "See Me, Feel Me" eu consigo acertar o tympani e o gongo ao mesmo tempo, e fazer um "enunciado" com o bumbo, então enquanto o tymp vai baixando, o gongo está tremulando, e você consegue uma variedade interessante de frequências. Eu vejo ele como quatro kits em um. Se eu quero que seja apenas um bumbo, um snare e o high-hat, então eu posso fazer isso. Se eu quero tocar no estilo "Ginger Baker", com o tom-tom e o giro no bumbo, eu posso. Se eu quiser soar sinfônico, eu consigo.
É muito adaptável e, com o nosso repertório, é necessário. Para conseguir aquele colorido, você precisa disso. Ele não está ali para que eu possa dizer, "Olha, eu tenho o maior kit do mundo" - está ali por uma razão muito boa. Eu posso fazer tanto a parte sinfônica quanto a parte de rock'n'roll. Eu posso encarar qualquer situação musical que apareça. Foi montado assim a partir disso, das músicas que nós tocamos.
Você já estudou á sério rudimentos de bateria?
Sim, e isso não... quer dizer, é bom pela técnica. São só exercícios, na verdade. Digo, com que frequência alguém vai usar um paradiddle em um show? Triplets, flams, mummy-daddy rolls... Eu não acho necessário. Eu posso fazer isso, mas não sinto necessidade de empregá-los. São bons exercícios para os pulsos, mas como treino para se aprender na prática... eu não recomendaria. Eu digo com certeza que são bons exercícios para a coordenação dos pulsos, mas daí a enquadrá-los como regra já seria demais - é uma coisa que pode ou não funcionar.
Seus pulsos parecem "apertados" depois de um show?
Não, acho que não. Eu trabalho mais com o ombro, como se fosse uma chicotada. Isso não exige muito esforço dos pulsos.
Você sai do palco fisicamente cansado?
Ah, claro. Eu levo quase uma hora pra reestabelecer minha respiração normal. Depois de um show, eu simplesmente me sento e não converso com ninguém. É diferente durante o show. Quando você está tocando, você não está ciente do lado físico daquilo, porque você transcende este lado físico. Você pensa em termos musicais, e seu corpo apenas responde fazendo coisas que, se você for parar pra pensar nelas, soariam bastante desajeitadas. Para deixar aquilo fluído, você tem que se desplugar inteiramente do sentimento de que está tocando uma bateria.
Eu tento me envolver completamente com a música, e só então é que meu instrumento se torna parte dela. Quando eu começo a pensar, então aquilo se transforma em um solo de bateria. Eu tenho sorte de ter esse talento de funcionar fisicamente no palco enquanto minha consciência está em um lugar completamente diferente. Eu fico escutando o que Pete está fazendo, o que John está tocando. Eu não tenho tempo para pensar no que eu estou fazendo. Eu não acho que um baterista deva pensar no que ele está fazendo, simplesmente é chegar lá e tocar.
Você costuma montar seu kit em casa e tocar?
Não, eu nunca faço isso. Algumas pessoas me perguntam o porque de eu não fazer solos de bateria - é a coisa mais entediante do mundo - e é principalmente por causa disso. Se eu me sento por trás de um set de bateria e no mesmo lugar está tocando uma música bem alta, então eu toco junto. Mas se for só eu, um kit e quatro paredes, de jeito nenhum que eu vou tocar. É por isso que eu acredito que um bom baterista deva ficar ciente ao que o restante da banda está tocando. Ele deve ficar atento às nuances de um músico com o outro. Se algo ou alguém estiver atrasando o andamento, é só dar um chute nessa direção. Eu estou pra comprar uma casa nova, e então montar uma espécie de quarto de música, fazê-lo a prova de som e tocar com discos ou alguma outra coisa, mas nunca sozinho.
O que você tem feito fora seu trabalho com o The Who?
Bom, Steve Cropper e eu estamos gravando um disco. Eu assinei um contrato para lançar três. Steve Crooper está produzindo e tocando neste. Nós convidamos artistas como David Bowie, Ron Wood, Klaus Voorman, Danny Kootch, Jesse Ed Davis. Backing vocals por David e Harry Nillsson.
Que tipo de material?
Nós estamos gravando duas canções de Randy Newman. Eu fui ao departamento de edição da Warner Bothers e escolhi 40 músicas. Fui na Capitol e peguei algumas outras. Steve e eu finalizamos três faixas e temos mais quatro nas quais estamos trabalhando.
Você está mais acostumado a cantar hoje em dia?
Sim, bem, Steve tem me ajudado bastante nesse quesito. Ele me passa muita confiança. Eu nunca fui muito confiante como cantor, e Steve apenas diz, "Vai lá. Pare de encher o saco dizendo que não consegue cantar. Você pode cantar." Ele tem uma atitude muito positiva, que funciona comigo. Nós temos um ótimo relacionamento.
E aquele disco cômico que você estava gravando?
Bom, pra todos os efeitos está morto. Acontece que a comédia é uma das formas de arte mais difíceis de se fazer bem feito. Se você escreve algo que ache divertido no calor do momento, e 10 minutos depois você dá uma lida e ainda é engraçado, então tudo bem. Se você acorda no dia seguinte e aquilo ainda te faz gargalhar, então está no roteiro. Hoje em dia isso não acontece mais com tanta frequência. Tem que ser engraçado, não importa as circunstâncias em que você esteja. Infelizmente, a coisa toda é questão de tempo. Você tem que trabalhar essa coisa de ser engraçado, e isso leva tempo.
Você acha que seus costumes "estranhos" tiram a atenção das pessoas e te diminui como um baterista ?
Em que posição eu fiquei na enquete da revista Sounds mesmo? E aquele título que eu ganhei na França, "O Melhor Baterista do Mundo nos Últimos Dez Anos"? (risos)
A maioria das pessoas que votam em enquetes são fãs e consumidores de discos. E sobre os outros bateristas? Eles levam você a sério?
Eu acho que sim, com certeza. Eles seriam bobos de não levar.
Você acompanha o trabalho de muitos bateristas?
Bem, eu não tenho esse costume. Eu gosto de bateristas dos anos 30 como Gene Krupa, que é meu preferido. Sonny Payne é fantástico também.
Você acha que se desenvolve bem com John Entwistle ao vivo?
Sim. Nós podemos mudar o ritmo no meio de uma música e soará natural. É algo que nós dois sentimos. Você desenvolve esse tipo de empatia.
Em diversas canções ao vivo, o Who usa trechos gravados de sintetizador. É difícil marcar e manter o tempo com isso?
Não. O que eu faço é manter uma espécie de batida metronômica, porque o sintetizador é metronômico. Uma vez que você começa a trabalhar com isso, tem que se esforçar um pouco. Ser mais rígido e exigente. A dificuldade foi que quando nós começamos a usá-lo, eu tentei aumentar um pouco o tempo onde eu achei que precisava de um empurrão, mas é claro que você não pode fazer isso tocando com um sintetizador. Você fica preso a esse metronômo. A única outra maneira de eu conseguir fazer isso é com a bateria. Quando eu sentia que precisava de um empurrão, ao invés de aumentar a velocidade, eu mudava o som da bateria usando outra coisa. O efeito continuava ali - era o mesmo que aumentar a velocidade.
O que você ouve pelos fones?
Eu ouço o sintetizador e trechos dos acordes. A fita é tocada no palco também, então eu ouço o mesmo som que sai no palco. Os acordes são principalmente para Pete, para que ele saiba aonde está. É difícil explicar em palavras porque é um sistema complexo. A máquina propriamente dita é matemática. Não existe um ponto principal me guiando, então tudo que eu faço é manter em minha cabeça a parte de onde eu vim. Não faz sentido seguir pelos fones, mas geralmente eu consigo. O sintetizador dita o tempo durante toda a música. Toda canção em que eu uso os fones é totalmente metronômica.
Embora isto obviamente não seja viável financeiramente, você gostaria de tocar em alguns clubes pequenos com o The Who?
Bem, eu não acho que nossa última turnê tenha sido viável financeiramente (risos). Eu cheguei ao final com um lucro de 46 libras e 70 pences - sério! Esta foi a turnê inglesa, é claro. Isto é normal na Inglaterra. Nos Estados Unidos a história é diferente - graças a Deus. Mas, quer dizer, eu acho uma boa idéia, mas talvez as pessoas ficassem de saco cheio. Nós tentamos tocar em salões menores na última turnê porque eles têm uma acústica melhor, e a multidão botava as portas abaixo. É uma boa idéia, mas quase impossível de se realizar.
Se o Who deixar de existir ou parar de fazer apresentações, você ainda vai querer tocar ao vivo?
Bem, vamos considerar as alternativas. (pausa) Empalhado em um museu? Não, na verdade as possibilidades são infinitas.
Whooligan -
8:24 PM
Comentários:
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
Encarte traduzido
Continuando com a publicação mensal dos encartes traduzidos dos CDs da banda, fiquem aí com...
THE WHO SELL OUT - 1967
Roger Daltrey - Vocais
John Entwistle - Baixo, Vocais e Metais
Keith Moon - Bateria e Vocais
Pete Townshend - Guitarra, Vocais e Órgão (em "Silas Stingy")
Al Kooper - Órgão
Produzido por Kit Lambert
Engenheiro-de-som: Chris Huston
Design de capa por David King e Roger Law
Fotografias da capa e da contra-capa por David Montgomery, tiradas em seu estúdio em Chelsea em outubro de 1967. De acordo com John, era ele quem deveria fazer a propaganda dos Feijões Heinz, mas quando ele ficou sabendo disso deu um jeito de atrasar-se um pouco. Como os feijões já estavam prontos e nada de John aparecer, acabou sobrando para Roger. Os feijões estavam sendo conservados na geladeira e ficaram completamente congelados. E John ainda ganhou a garota !
Encarte por Chris Charlesworth e Brian Cady

The Who Sell Out foi originalmente lançado como Track 612 002 (mono) e
613002(estéreo) em 15 de dezembro de 1967, alcançando o 13# lugar no Reino Unido. Lançado nos E.U.A. como Decca DL 4950 (mono) e DL 74950 (estéreo), chegou ao 48# lugar.
O conceito de
The Who Sell Out veio de Pete e do empresário do Who, Chris Stamp. Stamp tentou convecer alguns anunciantes à pagar pelos comerciais inseridos pela banda entre as músicas do disco, mas com apenas 50,000 cópias do álbum previstas a saírem, nenhuma das empresas interessou-se. O LP americano chegou às paradas da Billboard em 06 de janeiro de 1966. Foi supostamente lançado ao redor desta data ou talvez mais cedo, na última semana de dezembro de 1967. A mixagem em estéreo foi completada nos Estúdios De Lane Lea, Londres, em 30 de outubro. As fitas originais em mono foram finalizadas no mesmo estúdio, a 2 de novembro. A faixa em mono de "Our Love Was" apresentava uma gravação de guitarra diferente da versão em estéreo.

"Odorono" perdeu sua gravação de guitarra, "Mary Anne With The Shaky Hand", "Tattoo" e "Relax" apresentavam mixagens diferentes e o baixo era mais destacado.
Um pôster psicodélico foi incluído no LP original britânico.
1. Armenia City In the Sky (3'12)
(John Keene)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Gravado e mixado no Estúdio A da IBC, Londres, em 20 de outubro de 1967.
Vocal por Keith Moon.
Composta pelo ex-colega de quarto e motorista de Pete, John "Speedy" Kane. Esta foi a única vez que o Who usou uma música feita especificamente para eles por uma pessoa de fora da banda. Um ano depois Kenne integraria a banda Thunderclap Newman, criada e produzida por Townshend. Esta faixa foi lançada como um compacto no Japão juntamente com "Mary Anne With The Shaky Hand".
Radio London
Estes eram jingles da época deixados por uma estação pirata de rádio que havia sido fechada pela lei Marine Broadcasting Bill de 1967. A empresa que criou estes jingles mais tarde processou o Who por usá-los. Um acordo foi firmado entre as partes.
2. Heinz Baked Beans (0'57)
(John Entwistle)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Gravado nos Estúdios IBC, Londres, em 11 de outubro de 1967.
Este é mais um dos inúmeros jingles deste álbum gravados por John e Keith.
More Music
3. Mary Anne With The Shaky Hand (2'04)
(Pete Townshend)
TRO-Essex Music, Inc. (ASCAP)
Gravado nos Estúdios De Lane Lea, Londres, em 24 de outubro de 1967. Esta foi naverdade a terceira tentativa do Who de gravar "Mary Anne". Eles tentaram uma versão elétrica da primeira vez nos Estúdios Talentmasters, Nova York, no dia 06 de agosto, e, novamente, outra versão elétrica no dia 7. Finalmente a última versão feita é que acabou sendo lançada em
The Who Sell Out.
Esta gravação foi lançada originalmente em mono, e o final "trepidante" não constava no original, sendo criado especialmente para o relançamento em 1995.
Lançada como um compacto na Holanda em 02 de fevereiro de 1968, juntamente com "I Can't Reach You", acabou não entrando nas paradas.
O Who apresentou esta música ao vivo durante alguns shows no verão de 1968, ocasionalmente durante a turnê de 1989 e em versão acústica em 1999.
Premier Drums/Radio London
O comercial da "Premier Drums" é de autoria de Keith.
4. Odorono (2'16)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravada nos Estúdios IBC, Londres, em 11 de outubro de 1967.
"Odorono" era um produto da época, oficialmente chamado "Odo-Ro-No", sendo um popular desodorante, o primeiro comercializado especificamente para as mulheres.
Radio London
5. Tattoo (2'42)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravado nos Estúdios IBC, Londres, em 12 de outubro de 1967.
Ouvindo esta versão de estúdio é difícil de imaginar, mas esta música
tornou-se um destaque dos shows do Who, sendo tocada ao vivo de 1967 a 1975, e mais tarde revivida durante 1989 e acusticamente em 1999.
Radio London (Church Of Your Choice)
6. Our Love Was (3'06)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravada nos Estúdios Columbia, Los Angeles, em setembro de 1967.
Na versão mono deste LP, esta faixa apresentava um solo de guitarra "slide" que foi originalmente gravado para uma versão alternativa feita para a BBC.
Cartas de Keith para sua esposa Kim mostram que outra versão foi gravada em Bradley's Barn, Nashville, em 16 de agosto de 1967. Nos E.U.A. esta faixa foi chamada de "Our Love Was, Is".
Radio London (Pussycat)/Speakeasy/Rotosound Strings
John: "
A maioria dos comerciais foram gravados por nós mesmos nos Estúdios Kingsway em Londres. Eu e Keith inventamo-os no pub ao lado".
"Speakeasy"/"Rotosound Strings" são de John e Keith. O Speakeasy era um famoso antro para os astros britânicos do rock'n'roll na época. John ajudou a projetar as cordas Rotosound para o baixo.
7. I Can See For Miles (4'18)
(Pete Townshend)
TRO-Essex Music, Inc. (ASCAP)
Instrumentral gravado nos Estúdios CBS, Londres, em maio de 1967. Vocais gravados no Talentmasters, Nova York, nos dias 06 e 07 de agosto de 1967. Mixagem final feita nos Estúdios Gold Star, Los Angeles, em 10 de setembro de 1967.
Lançada como compacto no Reino Unido em 14 de outubro de 1967, chegando ao 10# lugar.
Os E.U.A. tiveram um lançamento anterior em 18 de setembro de 67. Alcançou o 9# lugar nas paradas da Billboard e 8# na Cash Box.
Pete: "
Pra mim esta foi a gravação definitiva do Who, e ainda assim não vendeu. Eu devo ter cuspido no mercado consumidor de discos britânico".
A versão do compacto lançado no Reino Unido apresentava uma mixagem bem mais forte do baixo. O Who com Keith Moon apresentou esta música apenas durante o final de 1967 e início de 1968, sendo revivida apenas depois de 1979.
Charles Atlas
Música composta por John Entwistle
8. I Can't Reach You (3'03)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravado em Londres no princípio de julho de 1967.
Pete: "
Esta é uma das primeiras músicas que eu compus no piano, e a despeito de sua simplicidade (causada pela minha inabilidade de tocar!), ela ainda me faz refletir porque, mais uma vez, os acordes que eu descobri são os que mais me agradam, e eu ainda uso-os. 'Pure and Easy' tem acordes similares, eu acho. É fácil querer ser astucioso ao olhar o passado, mas desde que eu tornei público o fato de
que Meher Baba é considerado o 'Avatar' (ou Messias) por seus seguidores, e que eu ouvi falar dele no início de 1967 (logo depois desta música ter sido escrita) eu posso dizer sem pretensões que eu estava realmente procurando por alguém".
Esta música foi originalmente chamada de "See, Fell, Hear You". Foi lançada na Austrália como um compacto juntamente com "Our Love Was".
9. Medac (0'57)
(John Entwistle)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Gravada nos Estúdios Kingsway, Londres, em outubro de 1967. Foi renomeada nos E.U.A., sem nenhuma razão aparente, para "Spotted Henry".
10. Relax (2'38)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravada em Londres no início de julho de 1967. Mixagens e overdubs feitos posteriormente nos Estúdios Mirasound e Talentmasters, Nova York, em 06 e 07 de agosto de 1967. Órgão por Pete Townshend.
Rotosound Strings (Demo)
John e Keith de novo. Esta não aparecia no LP original.
11. Silas Stingy (3'04)
(John Entwistle)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Gravada nos Estúdios Kingsway, Londres, em outubro de 1967. John: "
O resto do grupo costumava ter inveja porque eu fui o primeiro a comprar uma casa, e eu tive muitas dificuldades, uma vez que tínhamos despesas absurdas e nosso dinheiro não era tanto assim, e eu economizei cada centavo para comprar uma casa e a mobília... Então o Silas Stingy comprando uma casa, um cão de guarda e um cofre foi exatamente o que
aconteceu comigo."
Pete toca órgão nesta faixa. O refrão era pra soar como uma cantiga de roda infantil, mas acabou não funcionando. Foi tocada ao vivo pelo Who em alguns shows durante o verão de 1968.
12. Sunrise (3'03)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravada nos Estúdios IBC, Londres, em 02 de novembro de 1967.
Esta foi a última música a ser gravada para o álbum. Deve ter sido feita para substituir "Jaguar", que estava na lista de músicas de
The Who Sell Out até esta ser gravada. Keith não quis tocar nesta faixa, que acabou sendo feita somente por Townshend. Pete disse que tirou os acordes do livro "Jazz Guitar" de Mickey Baker.
13. Rael 1 (5'44)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Instrumentral gravado em Londres no início de julho de 1967. Vocais gravados nos Estúdios Talentmasters, Nova York, na segunda semana de julho de 1967.
Mixagem e masterização posteriores feitos nos Estúdios Goldstar, Los Angeles, em 05 de setembro de 1967. Mixagem final feita no Estúdio A da IBC em 20 de outubro de 1967.
Órgão por Al Kooper.
Kooper: "
Nós gravamos a maioria da música em um dia e deixamos para finalizá-la no dia seguinte. Nós saímos com pressa pois estávamos exaustos de trabalhar tanto... evidentemente, a fita multifaixas de "Rael" foi deixada na estante, destampada. A mulher da limpeza chegou e jogou-a no lixo, mas não esvaziou o lixo, então a fita ficou ali jogada com soda e cinza de cigarros por cima. Quando o (engenheiro-de-som) Chris Huston chegou na manhã seguinte... ele ficou horrorizado. Os primeiros 15 segundos da faixa haviam sido danificados e teriam que ser refeitos. E ele era o cara que teria que contar isso à Townshend. Eu queria ter visto esse encontro. Pete chegou ao estúdio por volta de 12:15 e Chris levou-o pra um canto, praticamente murmurando para ele. Tudo o que pôde ser ouvido foram as últimas palavras de Chris, 'Pete, eu sinto muito, mas às vezes essas coisas acontecem...' Townshend deu alguns passos para fora da Sala de Controle, quando, de repente, pega a cadeira do engenheiro-de-som e joga-a contra o vidro da divisória, causando um prejuízo de quase 12,000 dólares. Então ele vira-se para Chris e diz, 'Não se preocupe, Chris... às vezes isso acontece'."
Grande história, mas segundo o próprio Chris Huston, as coisas não aconteceram bem assim. Aí está seu relato:
"
Nós trabalhamos duro, e pelo final desta sessão em particular, estávamos todos bem cansados. Como de costume, se as sessões fossem continuar no dia seguinte, eu colocava as fitas em que estava trabalhando no topo de uma pequena prateleira na Sala de Controle. Nesta tarde, por alguma razão, eu me esqueci de tampar a fita, deixando-a em cima de sua caixa. Nessa época, para economizar dinheiro, alguns estúdios compravam fitas sem os protetores de metal. O Talentmaster era um desses estúdios. Então era isso, a fita estava no cubo, mas não tinha os protetores de metal."
"
Quando eu cheguei no dia seguinte, uma hora antes da sessão começar, não consegui encontrar a fita original de 'Rael'. Eu procurei por cada canto, incluindo os lugares óbvios como a fitoteca. Ela havia desaparecido! Foi só aí que eu pensei em contactar o jovem, do Harlem, que fazia a nossa limpeza. Aquilo foi um pesadelo. Ele não tinha um telefone. Eu eventualmente consegui chegar à ele através de um conhecido.E fiquei sabendo que ele havia dado a si mesmo o direito de declarar aquela fita como lixo, levando-a para a 41st (a rua detrás do estúdio), jogando-a na lixeira. Mas não antes de tirá-la de dentro do cubo. O pânico instalou-se. Eu procurei freneticamente pela lixeira e fui capaz de recuperar todos os pedaços da fita, e havia um monte deles. A gravação em si estava separada em 04 ou 05 partes que eu consegui reunir novamente. Entretando, a seção de introdução da fita estava danificada sem salvação."
"
Felizmente, na noite anterior eu havia levado para casa uma mixagem em mono - nessa época não existiam fitas cassetes. Nós acabamos copiando a introdução em mono para a fita original. Pete estava puto, e com razão! Mas ele não jogou uma cadeira na janela da Sala de Controle como disse Al. E, além disso, Al dizendo que o vidro e outros estragos ficaram em 12,000 dólares me fazem rir. A verdade é que nem mesmo toda a Sala de Controle custava tudo isso, e havia apenas um vidro de 3/8 polegadas na janela."
Por causa desse incidente, todas as versões em estéreo desta música contam com a introdução e o primeiro verso apenas em mono (com exceção de dois overdubs de vocais adicionados depois que a fita foi recuperdada, espaçados entre o centro e a direita para criar um efeito estéreo.)
O segundo capítulo de Rael não constava na edição original deste LP.
Whooligan -
11:10 AM
Comentários:
FAIXAS BÔNUS:
14. Rael 2 (0'47)
(Pete Townshend) Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravação original produzida por Kit Lambert nos Estúdios Talentmaster, Nova York, em julho de 1967. Anteriormente lançada no boxset 30 Years Of Maximum R&B em 1994.
Top Gear
Gravada nos Estúdios De Lane Lea, em 10 de outubro de 1967.
Autor desconhecido mas provavelmente é de John Entwistle. O título refere-se ao programa da BBC Light no qual o Who fez diversas aparições.
15. Glittering Girl (2'56)
(Pete Townshend) Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravada em Londres no princípio de julho de 1967.
O vocal de Pete é meramente um "vocal-guia". Teria que ser regravado se esta música fosse usada na época.
Coke 2
Gravada aproximadamente em abril de 1967 em estúdio desconhecido, Londres.
Assim como "Coke 1", esta foi gravada especialmente para a Coca-Cola Company em 1967. Entretanto, parece não ter sido usada. Autor desconhecido.
16. Melancholia (3'17)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravação original produzida por Kit Lambert nos Estúdios Advision, Londres, em 29 de maio de 1968. Lançada anteriormente no boxset
30 Years Of Maximum R&B.
Provavelmente pretendida para o LP nunca-completado
Who's For Tennis?.
Bag O'Nails
John e Keith. "Bag O'Nails" era outro estabelecimento de bebidas em Londres que assistiu parte das badernas de Keith.
17. Someone's Coming (2'29)
(John Entwistle)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Instrumentral gravado em Londres no final de maio de 1967 (quando John
machucou um dedo ao socar uma parede).
Arranjos de metais e vocais gravados em Bradley's Barn, Nashville, em 17 de agosto de 1967.
Originalmente lançada como o lado-B do compacto britânico de "I Can See For Miles".
Esta foi a primeira vez que Roger cantou em uma música composta por John.
Nos E.U.A., foi o lado-B do compacto "Magic Bus". John: "
'Someone's Coming' foi composta quando eu comecei a sair com a minha atual esposa, ela tinha quatorze anos e eu ainda estava na escola, e nós tivemos problemas desse tipo."
John Mason's Cars (Ensaio)
Estudiosos sobre a banda foram incapazes de confirmar os boatos de que os quatro integrantes do Who produziram este comercial na esperança de que depois de tocá-lo para John Mason, dono de uma concessionária, ganhariam um ou dois carros. Bem, se funcionou com a Rotosound Strings e até com a Premier Drums...
18. Jaguar (2'51)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc. (BMI)
Gravado e mixado por Kit Lambert no Estúdio A da IBC em 20 de outubro de 1967.
Vocais por Keith Moon. Vocais no refrão por Pete Townshend.
Pete: "
The Who Sell Out começou com este número que eu escrevi, chamado 'Jaguar'... Nós queríamos utilizar um poderoso número instrumental que fizemos para a Coca-Cola, então eu juntei-o com as letras de 'Jaguar'. Depois disso, é claro, nós pensamos, 'Por que não fazer mais alguns comerciais ?'"
Esta faixa foi excluída de
The Who Sell Out bem no final das gravações, supostamente para a inclusão de "Sunrise". Lançada anteriormente apenas em uma versão editada no boxset
30 Years Of Maximum R&B.
John Mason's Cars (Reprise)
19. Early Morning Cold Taxi (2'55)
(D. Langston/R. Daltrey)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Gravada nos Estúdios CBS, Londres, em maio de 1967.
Lançada anteriormente no boxset
30 Years Of Maximum R&B.
O co-autor, Dave Langston, é mais conhecido como Cy Langston. Ele deixou seu trabalho encabeçando a banda Cyrano and The Bergeracs para tornar-se o primeiro roadie do Who.
Coke 1
Gravada aproximadamente em abril de 1967 num estúdio desconhecido, em
Londres.
20. Hall Of The Mountain King (4'14)
(Edvard Grieg/arranjos: The Who)
1967 Fabulous Music, Ltd.
Gravada em estúdio desconhecido, Londres, em 28 de abril de 1967.
Este instrumental, cujo tema foi emprestado do álbum
Gynt Suit de Grieg, foi na verdade regravado por diversas bandas instrumentais britânicas no início dos anos sessenta.
John Entwistle: "
Há muito tempo atrás nós tínhamos planos de lançar uma música instrumental. Primeiro fizemos 'Instrumental - No Title' e depois 'Hall Of The Mountain King'. Nós gravamos esta, e soou incrível fora do estúdio, mas assim que a gravamos não pareceu tão boa. Ficou cheia de erros, então nós desistimos da idéia."
"Instrumental - No Title", também gravada nesta mesma época, foi agendada para ser lançada no relançamento de 1998 do álbum
Odds and Sods sob o nome de "Sodding About", mas foi cortada no último minuto. Já apareceu em diversos discos piratas nomeada
como "Signal 30" e "Who The Fuck"
Radio One (Mixagem em cima de "Boris The Spider")
Uma das quatro versões promocionais de sucessos do Who gravados para a Radio One da BBC. Os outros são "Happy Jack" (lançado no boxset
30 Years Of Maximum R&B), "My Generation" (lançado em
BBC Sessions) e "The Ox" (ainda inédito).
21. Girl's Eyes (3'28)
(Keith Moon)
Gowmonk, Inc. (BMI)
Gravada no Sound Techiques Ltd., Londres, em maio de 1967.
Lançada anteriormente no boxset
30 Years Of Maximum R&B.
Odorono (Refrão Final)
Este foi o refrão final de "Odorono", cortado de
The Who Sell Out durante a masterização para mono nos Estúdios IBC em 16 de dezembro de 1966.
22. Mary Anne With The Shaky Hand (Alternate Version)
(Pete Townshend)
TRO-Essex Music, Inc. (ASCAP)
Gravada e mixada nos Estúdios Mirasound e Talentmasters, Nova York, nos dias 06 e 07 de agosto de 1967.
Órgão por Al Kooper.
Este é um take diferente do usado para o lado-B do compacto americano de "I Can See For Miles". O take do compacto (remixado em estéreo) apareceu no relançamento de
Odds and Sods em 1998.
23. Glow Girl (2'24)
(Pete Townshend)
Towser Tunes, Inc./Fabulous Music Ltd./ABKCO Music, Inc.(BMI)
Gravada no Estúdio A da IBC, em 13 de janeiro de 1968, com overdubs gravados no mesmo estúdio em 11 de fevereiro e mixagem final feita nos Estúdios Gold Star, Los Angeles, em 26 de fevereiro de 1968.
Lançada anteriormente no álbum
Odds and Sods em outubro de 1974.
Esta faixa era pra ter sido lançada originalmente como um compacto no
princípio de 1968, e depois para ser incluída no LP nunca completado
Who's For Tennis?.
Track Records
Este final aparecia durante um acorde interminável bem na conclusão do LP original, e é uma paródia daquele presente no final do LP
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles. De acordo com John, ele e Keith gravaram este pelo telefone de um pub perto dos Estúdios Kingsway, em Londres.
Whooligan -
11:10 AM
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